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Governo do Rio de Janeiro bloqueia quase metade do orçamento do Theatro Municipal

Secretário afirma que redução foi maior do que à imposta a outros setores. Estado fala em contingenciamento e ressalta que programação não foi afetada.


Por Bom Dia Rio

O governo do RJ bloqueou 46,87% do orçamento do Theatro Municipal, no Centro do Rio. A redução foi anunciada nesta segunda-feira (13) em audiência pública da Alerj. Segundo a Comissão de Cultura da Casa, o valor corresponde a R$ 25 milhões.

Theatro Municipal, uma joia do estilo eclético — Foto: Michel Filho / Prefeitura do Rio
Theatro Municipal, uma joia do estilo eclético — Foto: Michel Filho / Prefeitura do Rio

Bailarinos e membros do coro e da orquestra do Theatro fizeram um protesto durante a audiência na Alerj. Uma bailarina dançou enquanto o coro se apresentou.

Os gastos do governo estadual com o Theatro Municipal são da ordem de R$ 8 milhões mensais, administrados pela Secretaria de Cultura, que dispõe de uma verba de R$ 21 milhões por mês.

O secretário estadual de Cultura e Economia Criativa, Ruan Lira, declarou que este ano conseguiu R$ 1,5 milhão da Secretaria de Fazenda para a realização de obras artísticas no Theatro Municipal, mas, para ele, os problemas estão longe de serem solucionados.

“O Municipal tem uma simbologia de 110 anos. Com quase 50% de contingenciamento do orçamento, cerca de 8% acima da média, precisamos enxergar a cultura como um setor de investimento. É por esse caminho que queremos andar", destacou o secretário.

Ele disse ainda que é necessária a revisão de contratos dos últimos 10 anos para verificar supostos erros cometidos por empresas responsáveis pelas obras do Theatro. Segundo Lira, há muitos problemas estruturais, como infiltrações.

O maestro Isaac Karabtchevsky, também presente na audiência pública, afirmou que a falta de sensibilidade do poder público em relação à cultura no estado prejudica o setor.

“A insensibilidade determina o futuro da nossa cultura e, independente de direita ou esquerda, pode definir o rumo do nosso setor”, disse o maestro.

“Trabalhei na Orquestra Sinfônica Brasileira e ainda como maestro em Viena e Veneza. Raramente vi uma estrutura tão coesa num coro e corpo de baile como no Theatro Municipal. Me revolto com essa insensibilidade e sou um soldado nessa luta”, destacou Karabtchevsky.

“O Theatro Municipal é um ícone da nossa cultura. O corte interfere na programação do ano inteiro e nós, como comissão, temos que intervir da melhor forma possível", destacou o deputado Eliomar Coelho (PSOL), presidente da comissão.

O que diz o governo

Em nota, a Secretaria Estadual de Cultura informou que, na verdade, não houve corte, mas um contingenciamento. O dinheiro está sendo liberado de acordo com a arrecadação pública, em razão da Lei de Recuperação Fiscal do estado.

Segundo Maria de Fátima Lopes Leite, secretária adjunta de Planejamento, Orçamento e Gestão da Casa Civil e Governança, a previsão de receita para este ano destinada ao Theatro Municipal é muito baixa, mas em junho será possível fazer um remanejamento.

“O governo tem a prioridade de pagar os salários dos servidores. Em junho, faremos uma revisão. A secretaria está de portas abertas para minimizar essa situação de corte e fazer um remanejamento”, garantiu a secretária.

“Já foram apresentados, este ano, a ópera ‘Côndor’ (março), o balé ‘As noites de Berlioz’ (abril), dois espetáculos do corpo de baile da Escola Estadual de Dança Maria Olenwa (abril), o recital do tenor Fernando Portari (abril) e também o recital do soprano Eliane Coelho (abril)”, elenca.

“Nesta quinta (16), será a estreia da ópera ‘Os contos de Hoffmann’. Estes são só os espetáculos produzidos pelos corpos artísticos da casa. Aconteceram muitos outros realizados pelos permissionários, isto é, produtores que alugaram o teatro para exibir espetáculos próprios”, emenda o texto.

Teatro em Crise - Perspectiva

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